Cefaleia

Dor de cabeça em crianças e adolescentes: causas, sinais de alerta e tratamento

Dr. Rafael William de Souza

Neurologista

Dor de cabeça em crianças e adolescentes: causas, sinais de alerta e tratamento
Neste artigo

A dor de cabeça é uma queixa comum na infância e na adolescência. Na maioria das vezes, não está relacionada a uma doença grave. As cefaleias primárias, como a enxaqueca e a cefaleia do tipo tensional, estão entre as causas mais frequentes nos atendimentos neurológicos.

Ainda assim, dores recorrentes, muito intensas ou acompanhadas de outros sintomas precisam ser avaliadas. A forma como a dor começou, sua frequência, os sintomas associados e eventuais mudanças no comportamento da criança ajudam o médico a diferenciar uma cefaleia primária de uma dor provocada por outra condição.

Dor de cabeça é comum na infância?

Uma meta-análise publicada em 2023 estimou que aproximadamente 62% das crianças e dos adolescentes apresentam alguma forma de cefaleia primária. A prevalência estimada de enxaqueca foi de 11%, embora os resultados variem conforme a população e o método utilizado em cada estudo.[1, 3]

As crises podem provocar:

  • faltas e queda de rendimento na escola;
  • dificuldade para estudar ou realizar tarefas;
  • interrupção de brincadeiras e atividades físicas;
  • menor participação em atividades sociais;
  • irritabilidade e alterações do sono;
  • impacto na rotina familiar.

Muitas crianças continuam apresentando cefaleia na vida adulta. Por isso, reconhecer e tratar o problema precocemente pode reduzir a incapacidade e melhorar a evolução em longo prazo.[1]

Quais são as principais causas de dor de cabeça em crianças?

As cefaleias podem ser divididas em dois grandes grupos.

Cefaleias primárias

Nesses casos, a própria cefaleia é o problema. Não existe outra doença estrutural, infecciosa ou metabólica provocando os episódios.

As principais formas são:

  • enxaqueca;
  • cefaleia do tipo tensional;
  • cefaleias trigêmino-autonômicas;
  • cefaleia primária em pontadas;
  • cefaleia nova diária e persistente.

Cefaleias secundárias

São dores de cabeça causadas por outra condição, como:

  • infecções virais;
  • sinusite aguda;
  • traumatismo;
  • elevação importante da pressão arterial;
  • efeitos de medicamentos;
  • distúrbios do sono;
  • aumento da pressão dentro do crânio;
  • infecções do sistema nervoso;
  • doenças vasculares;
  • lesões estruturais.

No pronto atendimento pediátrico, as infecções virais estão entre as causas mais frequentes de cefaleia secundária. Nos ambulatórios de neurologia, predominam as cefaleias primárias, principalmente a enxaqueca.[1]

Como a criança pode demonstrar que está com dor de cabeça?

Nem toda criança consegue explicar se a dor pulsa, aperta ou queima. Em crianças pequenas ou com dificuldades de comunicação, a observação da família é fundamental.

Durante uma crise, a criança pode:

  • interromper a brincadeira;
  • procurar um lugar escuro e silencioso;
  • evitar movimentos;
  • ficar pálida ou abatida;
  • demonstrar irritabilidade;
  • recusar alimentos;
  • apresentar náuseas ou vômitos;
  • querer dormir.

Em crianças com autismo, TDAH, deficiência intelectual ou limitações de linguagem, mudanças repetidas e previsíveis no comportamento podem ajudar a reconhecer o início das crises.

Enxaqueca em crianças e adolescentes

A enxaqueca é uma das cefaleias primárias mais encontradas nos ambulatórios de neurologia pediátrica. Pode começar nos primeiros anos de vida e nem sempre se manifesta da mesma forma que no adulto.[1]

Na infância, a dor pode:

  • durar menos tempo;
  • ocorrer nos dois lados da cabeça;
  • piorar com movimentos ou atividade física;
  • ser acompanhada de náuseas ou vômitos;
  • provocar incômodo com luz e sons;
  • fazer a criança interromper suas atividades.

A história familiar também é importante, pois muitas crianças e adolescentes com enxaqueca têm familiares com o mesmo diagnóstico.

Enxaqueca sem aura

É a apresentação mais comum. A dor pode ser pulsátil ou intensa e costuma piorar com a movimentação. Náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e incômodo com sons também podem ocorrer.

Como a criança nem sempre consegue descrever esses sintomas, algumas atitudes fornecem pistas importantes, como pedir silêncio, procurar um ambiente escuro ou querer dormir durante a crise.

Enxaqueca com aura

A aura é um conjunto de sintomas neurológicos temporários que pode surgir antes ou durante a dor.

A aura visual é a mais frequente e pode provocar:

  • pontos luminosos;
  • linhas ou formas brilhantes;
  • áreas de visão reduzida;
  • alterações transitórias do campo visual.

Também podem ocorrer formigamento, alterações da sensibilidade ou dificuldade para falar. Em geral, os sintomas se desenvolvem gradualmente, duram entre 5 e 60 minutos e desaparecem completamente.[2]

Na infância, as manifestações visuais podem ser menos típicas e, algumas vezes, ocorrer nos dois lados do campo visual. Uma visão simplesmente borrada antes da crise não é necessariamente uma aura e pode fazer parte dos sintomas que anunciam a chegada da enxaqueca.

Enxaqueca crônica

A enxaqueca é considerada crônica quando a pessoa apresenta dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, durante mais de três meses, e pelo menos oito desses dias têm características de enxaqueca.[2]

Essa forma pode comprometer significativamente a vida escolar, social e emocional. Uso excessivo de medicamentos para dor, sono inadequado, obesidade, ansiedade e depressão podem estar associados à maior frequência das crises.

A enxaqueca pode causar sintomas antes da dor?

Algumas crianças apresentam uma fase chamada pródromo, que pode começar horas antes da cefaleia.

Os sintomas mais relatados são:

  • cansaço;
  • irritabilidade;
  • mudança de humor;
  • palidez;
  • alteração da aparência facial;
  • redução da atividade habitual.

Frequentemente, os pais percebem essas mudanças antes da própria criança. Reconhecer esse padrão pode ajudar a iniciar as medidas para controle da crise mais cedo.[1]

Lacrimejamento e nariz entupido podem fazer parte da enxaqueca?

Sim. Lacrimejamento, vermelhidão ocular, congestão nasal, coriza, inchaço ao redor do olho e queda discreta da pálpebra são chamados de sintomas autonômicos cranianos.

Embora sejam conhecidos por ocorrer em algumas cefaleias mais raras, também podem acompanhar a enxaqueca infantil. Portanto, dor de cabeça com congestão nasal ou lacrimejamento não significa necessariamente sinusite.[1]

Quando a dor é sempre do mesmo lado, muito intensa, concentrada ao redor do olho e acompanhada de sintomas autonômicos do mesmo lado, outras formas de cefaleia precisam ser consideradas.

Síndromes episódicas associadas à enxaqueca

Algumas crianças apresentam síndromes que podem estar associadas à enxaqueca e, em certos casos, anteceder o aparecimento da cefaleia típica.

Entre elas estão:

  • enxaqueca abdominal;
  • síndrome dos vômitos cíclicos;
  • vertigem paroxística benigna;
  • torcicolo paroxístico benigno.

Na enxaqueca abdominal, o principal sintoma é a dor abdominal recorrente, geralmente acompanhada de náuseas, vômitos, palidez ou perda de apetite. Entre as crises, a criança costuma permanecer bem.

Na síndrome dos vômitos cíclicos, ocorrem episódios repetidos e semelhantes de náuseas e vômitos intensos, separados por períodos sem sintomas.

Esses quadros exigem avaliação cuidadosa, pois doenças gastrointestinais, metabólicas, vestibulares e neurológicas podem produzir manifestações semelhantes.[1, 2]

Cefaleia do tipo tensional

A cefaleia do tipo tensional costuma provocar dor leve ou moderada, frequentemente nos dois lados da cabeça. Em geral, não piora com as atividades habituais e apresenta menos sintomas associados do que a enxaqueca.

Apesar de serem condições diferentes, pode haver sobreposição entre cefaleia do tipo tensional e enxaqueca. Uma mesma criança também pode apresentar mais de um tipo de dor de cabeça.

Por isso, o diagnóstico depende do padrão observado ao longo do tempo, e não apenas das características de uma única crise.

Cefaleias trigêmino-autonômicas

São cefaleias raras na infância. Caracterizam-se por dor muito intensa, geralmente de um lado da cabeça, acompanhada de sintomas autonômicos do mesmo lado, como:

  • lacrimejamento;
  • vermelhidão ocular;
  • congestão nasal;
  • queda da pálpebra;
  • inchaço ao redor do olho.

A cefaleia em salvas faz parte desse grupo. Durante a crise, o paciente costuma ficar agitado ou inquieto, diferentemente de muitas pessoas com enxaqueca, que preferem permanecer paradas.

Essas cefaleias podem ser confundidas com enxaqueca, sinusite ou problemas oculares. Quando a dor ocorre sempre do mesmo lado ou não responde ao tratamento esperado, o diagnóstico deve ser revisto.

A hemicrania paroxística e a hemicrania contínua estão entre as cefaleias que apresentam resposta característica à indometacina, embora pertençam a categorias diagnósticas diferentes. O uso desse medicamento exige indicação e acompanhamento médico.[1, 2]

Cefaleia primária em pontadas

Provoca pontadas breves, geralmente com duração de segundos, que podem surgir isoladamente ou em pequenas sequências.

Na maioria dos casos, os episódios são pouco frequentes e não exigem tratamento. Quando se tornam repetitivos ou incapacitantes, é importante confirmar o diagnóstico e avaliar a necessidade de tratamento específico.

Cefaleia nova diária e persistente

Essa cefaleia apresenta uma característica marcante: o paciente se lembra claramente do dia ou do período em que a dor começou e, desde então, ela permanece diária e contínua, sem intervalos completamente livres.

Para preencher os critérios diagnósticos, o quadro deve persistir por mais de três meses.[2]

Embora seja rara na população geral, pode representar uma parcela importante dos casos de cefaleia crônica diária na infância e na adolescência. É uma condição de tratamento desafiador e exige a exclusão cuidadosa de causas secundárias.

Quando a dor de cabeça é um sinal de alerta?

Algumas características aumentam a possibilidade de a dor estar relacionada a outra condição médica.

É recomendável procurar atendimento com prioridade quando houver:

  • dor súbita e muito intensa, que atinge a intensidade máxima em menos de um minuto;
  • início recente com piora progressiva;
  • mudança importante no padrão de uma cefaleia já conhecida;
  • febre, confusão, sonolência excessiva ou rigidez na nuca;
  • fraqueza, alteração da sensibilidade, dificuldade para falar ou desequilíbrio;
  • convulsão;
  • alteração visual persistente;
  • dor após traumatismo;
  • dor desencadeada de forma consistente por tosse, espirro ou esforço;
  • dor provocada ou claramente modificada pela posição do corpo;
  • dor matinal acompanhada de vômitos;
  • dor sempre do mesmo lado, principalmente ao redor do olho;
  • histórico de câncer ou alterações da imunidade;
  • papiledema, que é o inchaço do disco óptico identificado no exame do fundo do olho.

A dor que piora ao deitar pode levantar a suspeita de aumento da pressão dentro do crânio. A dor que aparece ou piora ao ficar em pé pode estar relacionada à redução da pressão do líquido que envolve o sistema nervoso ou a alterações autonômicas.

Cefaleia matinal acompanhada de vômitos também merece atenção. Quando a dor matinal ocorre sem vômitos, o médico pode investigar outras condições, como a apneia obstrutiva do sono.

A localização da dor somente na parte posterior da cabeça não significa, por si só, que exista uma doença grave. A interpretação depende dos demais sintomas, da evolução do quadro e do exame neurológico.[1]

Toda criança com dor de cabeça precisa fazer ressonância?

Não. Crianças com história típica de cefaleia primária, padrão estável e exame neurológico normal geralmente não precisam realizar ressonância magnética, tomografia ou uma extensa bateria de exames laboratoriais.[1, 4]

Alterações de imagem que realmente exigem tratamento são pouco frequentes e costumam estar associadas a sinais de alerta ou alterações no exame neurológico.

Além de nem sempre esclarecer a causa da dor, a solicitação indiscriminada de exames pode identificar pequenas alterações sem relação com a cefaleia, provocando preocupação e levando a novas investigações desnecessárias.

A neuroimagem deve ser solicitada quando a história clínica ou o exame levantarem uma suspeita concreta de cefaleia secundária.

O eletroencefalograma ajuda a investigar a dor de cabeça?

O eletroencefalograma, também chamado de EEG, não faz parte da investigação rotineira da enxaqueca ou de outras cefaleias primárias.[4]

O exame pode apresentar alterações inespecíficas que não confirmam o diagnóstico nem explicam a dor. Sua realização deve ficar reservada para situações em que exista uma suspeita clínica independente de epilepsia ou de outra condição que realmente justifique o teste.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende do diagnóstico, da frequência das crises e do impacto da dor na vida da criança. Uma cefaleia provocada por infecção, traumatismo ou aumento da pressão intracraniana exige uma abordagem diferente daquela utilizada para uma cefaleia primária.

Como a enxaqueca é uma das formas mais frequentes e incapacitantes, também é a cefaleia pediátrica com maior número de estudos e possibilidades terapêuticas.

O tratamento da enxaqueca pode ser dividido em controle das crises e prevenção.

Tratamento das crises de enxaqueca

O medicamento para a crise costuma funcionar melhor quando é administrado no início da dor, enquanto sua intensidade ainda é leve.[5]

Ibuprofeno e paracetamol estão entre as opções estudadas para o tratamento agudo da enxaqueca pediátrica. A escolha e a dose devem considerar idade, peso, alergias, contraindicações, outras doenças e orientação médica.

Quando a resposta aos analgésicos comuns é insuficiente, o médico pode avaliar medicamentos específicos para enxaqueca, como os triptanos. A indicação varia conforme a idade, a apresentação disponível e a regulamentação vigente.

Crianças com piora rápida da dor, náuseas ou vômitos podem se beneficiar de apresentações nasais ou orodispersíveis. Medicamentos para náuseas também podem ser associados em situações específicas.

É importante que a família receba um plano escrito com orientações sobre:

  • qual medicamento utilizar;
  • em que momento administrá-lo;
  • qual dose foi prescrita;
  • o que fazer se a primeira opção não funcionar;
  • quando procurar atendimento médico.

Uma cópia desse plano pode ser mantida na escola.

Cuidado com o uso excessivo de analgésicos

O uso frequente de medicamentos para as crises pode contribuir para o aumento e a manutenção da dor de cabeça.

Como referência, as diretrizes utilizadas no artigo recomendam limitar o uso a:

  • no máximo 14 dias por mês para ibuprofeno ou paracetamol;
  • no máximo 9 dias por mês para triptanos;
  • no máximo 9 dias por mês para combinações de triptanos, analgésicos ou opioides.[1, 5]

Esses limites não significam que seja seguro automedicar a criança até essa frequência. A necessidade repetida de medicação indica que o tratamento precisa ser reavaliado.

Os opioides não são recomendados para o tratamento da enxaqueca pediátrica.

Quando considerar o tratamento preventivo?

O tratamento preventivo pode ser considerado quando as crises são frequentes, prolongadas, muito intensas ou provocam prejuízo importante à escola, à vida social e à qualidade de vida.

A prevenção pode incluir:

  • regularidade do sono e da rotina;
  • refeições regulares;
  • atividade física;
  • terapia cognitivo-comportamental;
  • técnicas de relaxamento;
  • biofeedback;
  • medicamentos preventivos;
  • neuromodulação em casos selecionados;
  • procedimentos ou tratamentos mais recentes em quadros refratários.

Medicamentos como topiramato, propranolol e amitriptilina podem ser avaliados em situações específicas. Entretanto, as evidências sobre medicamentos preventivos na população pediátrica são mais limitadas e heterogêneas do que nos adultos.[6, 7]

A escolha deve considerar a idade, o tipo de cefaleia, as condições associadas, os possíveis efeitos adversos e as preferências da criança e da família.

Os estudos pediátricos também demonstram uma resposta expressiva ao acompanhamento estruturado, inclusive nos grupos que recebem placebo. Isso reforça a importância da orientação, do seguimento regular e da combinação de estratégias, sem concentrar todo o tratamento apenas no medicamento.[6, 7]

Na enxaqueca crônica pediátrica, a terapia cognitivo-comportamental associada ao acompanhamento médico apresenta uma das melhores evidências disponíveis.[8]

Existem tratamentos mais novos?

Nos casos de enxaqueca resistente, o especialista pode avaliar outras possibilidades, como:

  • bloqueios de nervos periféricos;
  • onabotulinumtoxina A;
  • dispositivos de neuromodulação;
  • medicamentos relacionados ao CGRP.

A evidência pediátrica para essas opções ainda é mais limitada do que a disponível para adultos. A indicação por faixa etária, a aprovação regulatória e a disponibilidade no Brasil precisam ser verificadas individualmente.

Quando o tratamento não funciona como esperado, também é necessário revisar:

  • o diagnóstico;
  • a adesão às orientações;
  • as doses utilizadas;
  • o tempo de tratamento;
  • o uso excessivo de analgésicos;
  • a presença de ansiedade, depressão ou distúrbios do sono.

Sono, alimentação e atividade física fazem diferença?

Sono insuficiente ou irregular, sedentarismo, obesidade e longos períodos em jejum estão associados a cefaleias mais frequentes.

Isso não significa que a criança ou a família sejam culpadas pelo problema. A enxaqueca apresenta forte componente biológico e hereditário, e nem sempre existe um gatilho identificável.

As orientações podem incluir:

  • manter horários regulares para dormir e acordar;
  • investigar ronco, apneia ou insônia;
  • evitar longos períodos em jejum;
  • manter hidratação adequada;
  • praticar atividade física compatível com a idade;
  • registrar as crises em um diário para reconhecer padrões.

Ansiedade e depressão devem ser avaliadas?

Sim. Crianças e adolescentes com enxaqueca apresentam maior frequência de sintomas e transtornos de ansiedade e depressão quando comparados aos seus pares sem enxaqueca.[9]

Isso não significa que a dor seja imaginária ou “apenas emocional”. Enxaqueca, ansiedade e depressão podem ocorrer juntas e compartilhar fatores biológicos, genéticos e ambientais.

Identificar e tratar essas condições faz parte do cuidado neurológico e pode contribuir para a melhora da qualidade de vida e da resposta ao tratamento.

Quando procurar um neurologista?

A avaliação neurológica é recomendada quando:

  • as dores se repetem;
  • as crises interferem na escola ou nas atividades;
  • existe necessidade frequente de analgésicos;
  • o diagnóstico não está claro;
  • o tratamento inicial não funciona;
  • há mudança no padrão da dor;
  • existem sintomas neurológicos ou outros sinais de alerta.

Uma dor de cabeça isolada e leve geralmente não indica um problema grave. No entanto, cefaleias recorrentes, incapacitantes ou acompanhadas de sinais de alerta não devem ser ignoradas.

O diagnóstico cuidadoso evita dois extremos: realizar exames sem necessidade ou considerar toda dor de cabeça infantil como algo sem importância. Com avaliação clínica, exame neurológico e tratamento individualizado, a maioria das crianças e dos adolescentes pode apresentar melhora significativa e retomar suas atividades escolares, sociais e familiares.

Dr. Rafael William de Souza

Neurologista – CRM-PR 26931 • RQE 18196

Médico pela Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Residência Médica em Neurologia pelo Hospital Universitário da UEL (HU/UEL)

Pós-graduado em Dor e em Medicina Canabinoide pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP)

Neurologia • Neurodesenvolvimento • Saúde Mental

Neurologia para todas as fases da vida

Referências bibliográficas

  1. Orr SL. Headache in Children and Adolescents. Continuum (Minneap Minn). 2024;30(2):438-472. doi:10.1212/CON.0000000000001414.
  2. Headache Classification Committee of the International Headache Society. The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. doi:10.1177/0333102417738202.
  3. Onofri A, Pensato U, Rosignoli C, et al. Primary headache epidemiology in children and adolescents: a systematic review and meta-analysis. J Headache Pain. 2023;24(1):8. doi:10.1186/s10194-023-01541-0.
  4. Lewis DW, Ashwal S, Dahl G, et al. Practice parameter: evaluation of children and adolescents with recurrent headaches. Neurology. 2002;59(4):490-498. doi:10.1212/WNL.59.4.490.
  5. Oskoui M, Pringsheim T, Holler-Managan Y, et al. Practice guideline update summary: acute treatment of migraine in children and adolescents. Neurology. 2019;93(11):487-499. doi:10.1212/WNL.0000000000008095.
  6. Oskoui M, Pringsheim T, Billinghurst L, et al. Practice guideline update summary: pharmacologic treatment for pediatric migraine prevention. Neurology. 2019;93(11):500-509. doi:10.1212/WNL.0000000000008105.
  7. Powers SW, Coffey CS, Chamberlin LA, et al. Trial of Amitriptyline, Topiramate, and Placebo for Pediatric Migraine. N Engl J Med. 2017;376(2):115-124. doi:10.1056/NEJMoa1610384.
  8. Powers SW, Kashikar-Zuck SM, Allen JR, et al. Cognitive behavioral therapy plus amitriptyline for chronic migraine in children and adolescents: a randomized clinical trial. JAMA. 2013;310(24):2622-2630. doi:10.1001/jama.2013.282533.
  9. Falla K, Kuziek J, Mahnaz SR, Noel M, Ronksley PE, Orr SL. Anxiety and Depressive Symptoms and Disorders in Children and Adolescents With Migraine: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Pediatr. 2022;176(12):1176-1187. doi:10.1001/jamapediatrics.2022.3940.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

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